Rede pública esbarra em velhos problemas

Adaptação das escolas no Rio para volta às aulas começa semana que vem, mas CPI na Câmara aponta empecilhos que incluem até falta de tábua em vaso sanitário

Por Lucas Cardoso e Maria Clara Matturo

Diretores de escolas privadas fizeram ato a favor do retorno
Diretores de escolas privadas fizeram ato a favor do retorno -

A Prefeitura do Rio começou, nesta semana, um treinamento para a retomada das aulas na rede municipal que, por decreto do governo do estado, publicado ontem, estão suspensas até o dia 20 de agosto. A preparação começou em regime online, na última segunda-feira, mas passa a ser presencial na próxima semana, quando inicia a adaptação das escolas às normas da Vigilância Sanitária. Contudo, o cronograma foi alvo de críticas por parte dos sindicatos e lideranças do funcionalismo da Educação, alegando não terem sido consultados para a elaboração do plano. Segundo o Sindicato Estadual de Profissionais da Educação (Sepe), a SME previa, inclusive, o retorno dos alunos para a segunda quinzena de agosto, tendo os dias 17, 24 e 31 como possibilidades.

Uma parte do treinamento proposto pela SME foi uma reunião, realizada com as direções das escolas, em que a pasta apresentou um protocolo de retomada e a convocação de reuniões presenciais para todos os funcionários.

O Sepe, que faz parte do grupo de trabalho instituído pela prefeitura, emitiu nota em repúdio ante a atitude da SME: "É chocante que a prefeitura esteja fazendo isso, pois se prontificou a debater com as diversas autoridades ali presentes a melhor forma de volta às aulas. E essas mesmas autoridades e representantes de entidades diversas têm se notabilizado, nas oito reuniões do GT realizadas até agora, pela unanimidade em torno da preocupação de apenas retornar às atividades presenciais quando a pandemia estiver controlada".

A decisão dos profissionais de Educação é justificada, ainda, por um relatório da CPI das Escolas, da Câmara de Vereadores do Rio. O documento, aprovado ontem, apontou diferentes problemas estruturais, que na verdade já são velhos conhecidos dos gestores da rede pública, entre eles "necessidade de obras urgentes, falta de iluminação; carga elétrica insuficiente para ar-condicionado; escassez de material de higiene; falta de portas e tábuas sanitárias nos banheiros; armazenamento de alimentos inapropriado; e cozinhas mal equipadas".

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