Ex-procurador-geral deixa cadeia, mas é obrigado a ficar longe do MP

Claudio Lopes é acusado de receber propina do esquema do ex-governador Sérgio Cabral

Por ADRIANA CRUZ

Denúncia do MP aponta que ex-procurador receberia R$ 150 mil mensais da organização de Sérgio Cabral
Denúncia do MP aponta que ex-procurador receberia R$ 150 mil mensais da organização de Sérgio Cabral -

Rio - Claudio Lopes,  ex-procurador-geral de Justiça, deixou a Unidade Prisional da PM, antigo BEP, em Niterói, onde estava preso, na noite desta quarta-feira. Ele ganhou a liberdade por decisão do ministro Sebastião Reis Júnior, do Superior Tribunal de Justiça. Mas para continuar fora da prisão, Lopes está proibido de entrar no prédio do Ministério Público (MP) onde foi o chefe da instituição entre 2009 e 2012. Ele é acusado de integrar esquema de propina montado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Lopes entrou para a história da instituição como  primeiro ex-procurador-geral a ser preso.   

Segundo José Carlos Tórtima, Lopes deixou o BEP ainda na noite de quarta-feira. "A decisão foi justíssima. O ministro acolheu a tese da defesa de que não há fato concreto ou temor que ele pudesse atentar contra a ordem pública ou instrução criminal. São fatos antes de 2012, como a própria denúncia afirma. Logo não há o requisito da contemporaneidade da prisão", afirmou.  O ministro determinou ainda que Lopes compareça em juízo a cada 15 dias para informar e justificar suas atividades e entregue seu passaporte. 

A Justiça já determinou o sequestro de R$ 7,2 milhões e a quebra do sigilo bancário de Lopes e da mulher dele, Ana Beatriz.  Lopes é acusado de integrar esquema de corrupção montado pelo ex-governador Sérgio Cabral para não investigar os aliados do então dono do Palácio Guanabara, como o ex-secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes. Lopes é apontado como o responsável pelo vazamento de investigação do MP contra o ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes, em 2010, quando levou os documentos da investigação para casa. Ele ficou com o inquérito 57 dias, sem atender aos pedidos de devolução do procurador-geral em exercício, Carlos Navega, falecido.

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