'Homem da Mala de Cabral' vai para casa

Maior delator da Lava Jato do Rio, Carlos Miranda cruzou os portões da Cadeia Pública Frederico Marques, em Benfica, na tarde deste domingo

Por ADRIANA CRUZ

Carlos Miranda em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal
Carlos Miranda em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal -

Rio - Operador do esquema de propinas do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e maior delator da Operação Lava Jato do Rio, Carlos Miranda deixou, às 12h04, deste domingo, a Cadeia Pública Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte. A saída, que estava prevista para sexta-feira, foi adiada por vários motivos: atrasos na Vara de Execuções Penais (VEP), feriado da Justiça Federal, além da espera por informações sobre um mandado de prisão da Justiça de Curitiba (PR).

Miranda vai cumprir prisão domiciliar em regime fechado por dois anos, sem direito a receber visita, e com a obrigação de usar tornozeleira eletrônica. Para "O Homem da Mala de Cabral" ir para casa, os advogados Fernanda Freixinho e Daniel Raizman entraram com um habeas corpus no plantão judiciário do Tribunal de Justiça. A saída de Miranda foi autorizada pelo juiz Mauro Nicolau, mas, como o documento tinha erro de dados, teve que ser refeito, o que demorou ainda mais. Nicolau considerou a permanência do delator na cadeia ilegal por não existir nenhum mandado de prisão contra ele.

A mobilização da defesa de Miranda começou sexta-feira, às 9h. Mas, primeiro, a central de mandados da Capital só recebeu a informação da VEP sobre a "liberdade" dele às 14h. Foi identificada pendência na 7ª Vara Federal Criminal, embora o juiz Marcelo Bretas já tivesse expedido o alvará de soltura. Mas a informação de um mandado de prisão na Justiça de Curitiba impediu de vez Miranda de sair pela porta da frente, o que só aconteceu neste sábado.

Miranda é delator em pelo menos 51 processos derivados da Lava Jato do Rio. Nesta relação foram para cadeia Cabral, conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, atualmente soltos, empresários, dez deputados estaduais e, pela primeira vez, um ex-procurador-geral de Justiça, Claudio Lopes, que está no Batalhão Especial Prisional (BEP) da PM, em Niterói. Todos são acusados de envolvimento na máquina de propinas dirigida da sede do Palácio Guanabara.

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