Carlos Miranda delatou em 51 ações da Lava Jato

'Homem da mala' de Cabral é a maior fonte de informações da operação no Rio

Por ADRIANA CRUZ

Carlos Miranda em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal
Carlos Miranda em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal -

Rio - Homem da mala do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral, Carlos Miranda é delator em pelo menos 51 processos derivados da Lava Jato do Rio. Nesta relação foram para cadeia Cabral, empresários, dez deputados estaduais e, pela primeira vez, um ex-procurador-geral de Justiça, Claudio Lopes, que está no Batalhão Especial Prisional (BEP) da PM, em Niterói. Todos acusados de envolvimento na máquina de propinas dirigida da sede do Palácio Guanabara.

Preso na Cadeia Pública Frederico Marques, em Benfica, ele ganhou o direito à prisão domiciliar por dois anos em regime fechado ontem. Mesmo em casa, porém, não poderá receber visitas e vai usar a tornozeleira eletrônica. A data da saída estava prevista, mas a burocracia atravancou o processo de liberação. O último obstáculo ainda não resolvido até o fechamento desta edição era um mandado de prisão pendente na Lava Jato de Curitiba, no Paraná.

A mobilização dos advogados de Miranda, Daniel Raizman e Fernanda Freixinho, começou às 9h de ontem, com a expectativa de que o cliente sairia entre 11h e 16h. Mas, primeiro, a central de mandados da Capital só recebeu a informação da Vara de Execuções Penais (VEP) sobre a 'liberdade' dele às 14h. Foi identificada pendência na 7ª Vara Federal Criminal, embora o juiz Marcelo Bretas já tivesse expedido o alvará de soltura. "Tivemos que esperar a documentação do Bretas ir para 18ª Vara Federal, que está de plantão", explicou Raizman.

Violação de acordo

Durante a sexta-feira, a 18ª Vara Federal de plantão alegou estar esperando a resposta da Polícia Civil se havia outra pendência. "Ocorre que a não liberação do colaborador na data estabelecida, implica em violação por parte do estado ao acordo", afirmaram os advogados, em nota. Por volta das 17h, eles foram obrigados a conseguir uma nova ordem de saída na VEP, já que com a pendência identificada na Justiça Federal o primeiro documento perdeu a validade. À noite, a informação de que havia uma pendência na Justiça de Curitiba complicou a volta de Miranda para casa.

Já no início da noite deste sábado, Raizman e Freixinho informaram que a decisão sobre a liberdade de Miranda estava nas mãos do juiz Mauro Nicolau Júnior, da 48ª Vara Cível, responsável pelo plantão judiciário.

Com base nas relevações do delator, o Ministério Público Federal deflagrou, semana passada, a operação Funa da Onça, na qual foram decretadas as prisões de dez deputados estaduais e 12 suspeitos de corrupção, entre eles o ex-secretário de Governo de Luiz Fernando Pezão, Affonso Monnerat.

Miranda disponibilizou R$ 4 milhões para pagamento de multa, além de sua fazenda, veículos e o valores provenientes do exterior.

Delator na frente do juiz na quarta

Carlos Miranda será ouvido na 7ª Vara Federal Criminal quarta-feira, às 14h, sobre a Operação C'est Fini. Na ocasião, o Ministério Público Federal fechou o cerco aos integrantes da chamada "farra dos guardanapos", evento em Paris que foi considerado comemoração antecipada da escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O então governador Sérgio Cabral protagonizou foto, com membros do governo e empresários, com guardanapos na cabeça.

Régis Fichtner, que comandou a Casa Civil nas duas gestões de Cabral entre 2007 e 2014, chegou a ser preso. Foram expedidos mais quatro mandados de prisão, entre eles contra o ex-presidente da Fundação Departamento de Estradas de Rodagem, Henrique Ribeiro.

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