Major da PM transformou UPP em 'mercado persa do crime', dizem promotores

Alexandre Silva Frugoni de Souza e mais nove PMs foram denunciados pelos crimes de quadrilha armada, latrocínio (roubo seguido de morte), furto, fraude processual e peculato

Por ADRIANA CRUZ

Major da PM e mais nove policiais foram denunciados por transformar UPP em 'mercado persa do crime'
Major da PM e mais nove policiais foram denunciados por transformar UPP em 'mercado persa do crime' -

RIO - 'Mercado Persa do Crime'. É assim que os promotores classificam a Unidade de Polícia Pacificadora enquanto foi comandada pelo major Alexandre Silva Frugoni de Souza. O oficial e mais nove PMs foram denunciados pelos crimes de quadrilha armada, latrocínio (roubo seguido de morte), furto, fraude processual e peculato à Auditoria de Justiça Militar pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público (MP). Eles pediram ainda à juíza Ana Paula Barros a prisão preventiva dos acusados. Até ontem, a magistrada não havia decidido.

O MP pediu ainda abertura de investigação contra a capitã Paula Andrasa das Chagas, mulher de Frugoni, e mais nove PMs por suspeita de infrações disciplinares. Como o blog Justiça e Cidadania publicou ontem em primeira mão, os denunciados à Justiça além de Frugoni, são os tenente Iago Ariel Cabral Calheiros; sargento Alexandre da Silva Lino; sargento André Luiz dos Santos Guedes; cabo Antônio Ariosan Costa Araújo; soldado Marcelo de Oliveira Sinflório; soldado Victor Félix Rosa da Silva; soldados Leandro dos Reis Lemos; André Miraglia Moura e Igor da Costa Pereira Drumond.

Frugoni chegou a ser preso em outubro do ano passado durante uma operação da Corregedoria da Polícia. À época, ele comandava a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Caju. No local foram localizados um arsenal com mais de três mil balas de vários calibres na sala do comandante, armas raspadas e drogas sem procedência.

De acordo com o MP, o grupo atuou de 7 de março de 2016 até outubro do ano passado em áreas das comunidades da Coroa, Fallet/Fogueteiro e Caju. Os policiais roubavam até fuzil, como aconteceu em 14 de maio de 2017, por volta das 5h, na Rua Itapiru, na Coroa, quando ficaram com a arma de Francisco Glauber de Souza, o GB, e Raphael Santiago Rodrigues, o Canjica. O grupo fraudou ainda o local de crime para registro em delegacia, como foi o caso da remoção dos cadáveres de GB e Canjica. Eles foram mortos durante emboscada.

Para encobrir a ação criminosa contra GB e Canjica, os policiais que eram do Grupo Tático de Polícia de Proximidade da UPP Coroa, Fallet/Fogueteiro forjaram a apreensão de duas pistolas, drogas e três cadernos da contabilidade do tráfico. Mas câmeras de um posto de gasolina flagraram a ação.

Foi preso, solto e virou chefe de centro das UPPs

As investigações de PMs envolvidos em irregularidades promete não parar. O Gaesp pediu que a Justiça encaminhe o material de investigação contra os policiais à Corregedoria Interna da PM, à Corregedoria Geral Unificada e que sejam abertos inquéritos civis para apurar improbidade administrativa dos militares.

Para pedir a prisão preventiva do major, o MP ressaltou que mesmo após ter sido preso em flagrante em outubro na UPP do Caju com farto material, como armas e munições, em seu gabinete, ao ser solto o oficial foi lotado na Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), na função de chefe do Centro de Comando e Controle das UPPs, com acesso a todas as ocorrências. E até pouco tempo estava na função de Ajudante de Ordens do Comando Geral da corporação.

Durante as investigações contra o grupo foi constatado que as irregularidades eram repassadas diretamente a Frugoni por seus homens de confiança. Para acobertar os PMs, o oficial enfraquecia os mecanismos de controle, segundo o MP.

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