Vendedora morre após cirurgia plástica e família denuncia médico

Laudicéia Cristina Reis Galvão, de 34 anos, ficou internada nove meses após realizar hidrolipo com o médico Danilo Dias Ferreira. Neste domingo, a mulher veio a óbito

Por LUANA BENEDITO

Laudicéia
Laudicéia -
Rio - Uma vendedora morreu neste domingo, em São Paulo, após realizar uma hidrolipo e ficar internada mais de nove meses em estado vegetativo em função de complicações durante a realização da cirurgia plástica em outubro do ano passado. Ao O DIA, a família de Laudicéia Cristina Reis Galvão, 34 anos, denuncia o médico Danilo Dias Ferreira, também conhecido nas redes sociais como Danilo Said, de cometer erros durante o procedimento estético.

Galeria de Fotos

Laudicéia durante internação Arquivo pessoal
Laudicéia Reprodução
Laudicéia Reprodução
Danilo Dias Ferreira Reprodução
Danilo Dias Ferreira Reprodução
Prontuário de Laudicéia Arquivo pessoal
Laudicéia durante internação Arquivo pessoal
Laudicéia Reprodução
Laudicéia Reprodução


Segundo Alan Procópio, companheiro da vendedora, a mulher tinha o sonho de fazer a cirurgia após a segunda gravidez e depois de pesquisar em grupos na internet escolheu fazer a hidrolipo com Danilo, que tem mais de 53 mil seguidores no Instagram e um grupo dedicado a ele com mais de 14 mil membros no Facebook. "Eu insisti muito para que ela não fizesse. Não tinha necessidade, era coisa da cabeça dela, porém, Laudi era muito vaidosa", conta o motorista de ônibus.

Na manhã do dia 26 de outubro, Laudiceia deu entrada em um hospital para a realização do procedimento. "No meio da cirurgia ela teve uma intercorrência com uma parada cardiorrespiratória e afetou muito o cérebro dela pela falta de oxigênio, por mais de 40 minutos", diz Alan.

Em um áudio, que O DIA teve acesso, o médico dá a notícia para o marido da vendedora sobre o que aconteceu durante a cirurgia plástica. "Teve um intercorrência lá na cirurgia e ela teve uma parada, tentei reverter e tal… Ela está estável, num ritmo normal agora, mas vai precisar transferir para UTI. A ambulância já está vindo. A pior parte assim já foi revertida, nós conseguimos reanimar e ela está estável, mas vai precisar de um cuidado intensivo que a gente não tem aqui", fala Danilo.

Alan questiona se na unidade não tinha a infraestrutura necessária para a realização do procedimento porque aquele foi o local escolhido pelo médico. "A transferência para outro hospital é um cuidado extra", frisa o médico.

A mulher foi transferida para outro hospital particular de São Paulo. "Lá ela ficou 15 dias entubada e depois colocou uma traque para poder respirar. Pouco tempo depois, Laudi teve uma outra parada cardiorrespiratória que complicou ainda mais o quadro dela", relata o motorista. No dia 2 de dezembro, por causa dos custos, ela foi transferida para o hospital estadual Mandaqui, onde permaneceu internada até este domingo. Ela morreu em um função de uma infecção generalizada.
"O doutor simplesmente desapareceu. Só acompanhou no dia na ambulância, mas depois ele desapareceu", afirma Alan, que fez um boletim de ocorrência contra o médico.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo, o caso foi registrado como lesão corporal culposa é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela 36ª DP (Vila Mariana).

"O médico citado e o marido da vítima foram ouvidos e testemunhas devem prestar depoimento nos próximos dias. A autoridade policial analisa a documentação médica e realiza diligências visando ao esclarecimento dos fatos", informou a pasta, em nota.

O DIA tenta contato com o médico e com seu advogado. No entanto, até a publicação desta reportagem ninguém foi encontrado para comentar o caso. O espaço está aberto para manifestação.
Laudicei deixa dois filhos, uma adolescente de 16 anos e um menino de 1 ano e 7 meses. A vendedora foi sepultada na tarde desta segunda-feira no cemitério Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. 
"Nada vai trazer minha mulher de volta, mas eu espero que a justiça seja feita. Ele não pode continuar por aí fazendo cirurgia. Eu quero justiça até para que ele não faça novas vítimas e provoque sofrimento em outras famílias. Nós estamos arrasados, ela era uma mãezona, meu braço direito", lamenta Alan.

Médico não tem especialização no CRM

Danilo Dias Ferreira tem registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No entanto, não há nenhuma especialização ou área da atuação cadastrada. O nome do médico não consta na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
No perfil do médico no Instagram, ele descreve que é membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Plástica.  A instituição, porém, ressalta "que o colegiado não é formado somente de cirurgiões, mas de sim de todos aqueles que se identificam ou praticam a medicina visando a melhora da autoestima e do cuidado dos pacientes visando a saúde e a beleza".

Na busca do CRM, o registro de Danilo em Goiás aparece como cancelado. Procurado o Conselho Regional de Medicina do (Cremego), informou que o médico inscreveu-se no Regional em 13/03/2013: "O cancelamento da inscrição secundária é um instrumento usado pelos médicos, normalmente, quando deixam de atuar no Estado. Esse cancelamento é feito a pedido do próprio médico".

Comentários