Exonerado chefe de gabinete do TCE

Advogado foi citado em delação de ex-diretor de contratos da Odebrecht à procuradoria

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Rio - Chefe de gabinete do presidente Aloysio Neves — afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) por 180 dias acusado de corrupção — o advogado Giorgio Pierson Oliboni foi exonerado ontem pela presidente interina, Marianna Montebello. Oliboni é citado em depoimento do delator Marcos Vidigal do Amaral, ex-diretor de contratos da Odebrecht, à Procuradoria Regional do Rio. Segundo o depoimento, ele era intermediário do recebimento de R$ 4 milhões de propina para que um procedimento na Corte sobre os valores da Linha 4 do Metrô, avaliados em R$ 7,6 bilhões, fosse arquivado por Aloysio Neves.

Giorgio Pierson Oliboni é acusado de corrupção Divulgação

Segundo Amaral, Oliboni procurou os representantes do consórcio — formado por cinco empreiteiras, entre elas a Queiroz Galvão e Odebrecht — no início de 2014. Na reunião, teria informado que o arquivamento do caso no TCE, chamado de ‘Casa de Doido’, custaria R$ 1 milhão em um contrato de prestação de consultoria do escritório de Oliboni às empresas e mais R$ 3 milhões em dinheiro. Em dezembro, Amaral entregou à Força-Tarefa da Lava Jato no Rio, as notas fiscais de pagamento ao escritório e o arquivamento do caso por Neves. Mas só ontem, Oliboni deixou o cargo.

Em nota, o TCE informou que Oliboni começou a trabalhar na Corte em dezembro de 2003, como assessor do conselheiro Jonas Lopes, delator da Lava Jato, que denunciou corrupção envolvendo cinco conselheiros e um aposentado. Quando Lopes foi presidente, de 2011 a 2016, Oliboni, chamado de ‘sobrinho’, foi nomeado assessor especial da presidência. Em janeiro, assumiu a chefia de gabinete de Aloysio Neves com salário de R$ 30.471,11. Ao ter acesso ao conteúdo da delação de Amaral, Oliboni, após três meses da denúncia, pediu exoneração.

Muito ligado a Jonas Lopes, Oliboni é filho de Antônio Olibini, ex-secretário de Justiça do então governador Anthony Garotinho, em 2000. Antônio Oliboni pediu demissão do cargo porque foi acusado de ter favorecido, no fornecimento de quentinhas para os presídios, a empresa Brasal, da qual já havia sido advogado. Antônio Oliboni também era muito ligado a Jonas Lopes. Ele foi casado com uma sobrinha de Lopes. Procurado, Georgio Oliboni não foi localizado.

Delação atinge ex-secretário de Transportes

A delação de Amaral atinge o ex-secretário de Transporte Júlio Lopes, deputado federal (PP). Segundo Amaral, Lopes exigiu propina de 0,5%, o equivalente de R$ 19,5 milhões, do valor de R$ 3,9 bilhões, do trecho da Linha 4 do Metrô na Zona Oeste. Logo depois, pediu 0,5% da obra na Zona Sul referente a R$ 3,6 bilhões. As empreiteiras negociaram redução do percentual de 0,5% para 0,25% (R$ 9 milhões).

O parlamentar alegou, em nota, estar indignado. Declarou que processará civil e criminalmente quem tenta “macular a sua imagem com mentiras e falsas acusações”. Ressaltou que a obra era de responsabilidade da Casa Civil.

Amaral afirmou que o procurador do estado, Renan Miguel Saad, recebeu R$ 300 mil para dar parecer em dezembro de 2009 ou 2010 sobre a Linha 4. A Procuradoria Geral do Estado informou que Saad solicitou à Corregedoria a abertura de procedimento administrativo. O procurador alegou que seus atos obedeceram a padrões éticos e regimentais.

Em nota, Saad afirmou vai processar o delator. Disse que a discussão sobre a expansão do metrô até a Barra começou em 2009, antes da Odebrecht entrar em 2010. Saad explicou que o documento aprovado foi de outro procurador. “Inexiste lógica na versão equivocada e fantasiosa de que teria recebido vantagem para produzir parecer no qual havia concordado, oficial e publicamente, em fazê-lo. E que, ao final do processo, seria substituído”.

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